sexta-feira, 18 de outubro de 2013

desenvolvimento cognitivo da criança e melhoria de qualidade de ensino em Moçambique

Desenvolvimento Cognitivo da Criança Para a Melhoria de Qualidade de Ensino
em Moçambique
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Elaborado por Florentino Rogério Duce. 3˚ Ano de Licenciatura em Turismo
Índice---------------------------------------------------------------------------------------------Pág.
Resumo ----------------------------------------------------------------------------------------------2
1. Introdução ----------------------------------------------------------------------------------------3
2. Tema-----------------------------------------------------------------------------------------------4
2.1. Titulo--------------------------------------------------------------------------------------------4
2.3. Problema----------------------------------------------------------------------------------------4
2.4. Hipóteses ---------------------------------------------------------------------------------------4
2.4.1. Nula-------------------------------------------------------------------------------------------4
2.4.2. Alternativa-----------------------------------------------------------------------------------4
2.5. Objectivos--------------------------------------------------------------------------------------4
2.5.1. Geral------------------------------------------------------------------------------------------4
2.5.2. Específicos-----------------------------------------------------------------------------------4
2.6. Justificativa-------------------------------------------------------------------------------------5
3. Metodologia--------------------------------------------------------------------------------------6
4. Revisão Bibliográfica---------------------------------------------------------------------------7
4.1. Actividades Lúdicas--------------------------------------------------------------------------7
5. Primeira Infância --------------------------------------------------------------------------------8
6. Desenvolvimento Cognitivo e o Brincar ---------------------------------------------------11
7. O lúdico e o Ambiente Escolar --------------------------------------------------------------13
8. Violência Doméstica --------------------------------------------------------------------------15
8.1. Consequências da Violência Doméstica--------------------------------------------------15
8.2. Trato da violência Doméstica--------------------------------------------------------------17
9. Cronograma-------------------------------------------------------------------------------------18
10. Orçamento-------------------------------------------------------------------------------------19
11. Referencias Bibliográficas------------------------------------------------------------------20
Anexos --------------------------------------------------------------------------------------------21
Guião de Entrevistas para Funcionários da Escola-------------------------------------------22
Guião de Entrevistas para os Alunos ----------------------------------------------------------23
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Resumo
Embora, actualmente ainda exista a ideia de que as actividades lúdicas devem servir apenas como distracção, como passatempo que ocupe a criança, estudos feitos têm mostrado a importância destas actividades para o adequado desenvolvimento psicológico, cognitivo e afectivo do ser humano. Desta forma, o presente trabalho tem como objectivo desenvolver actividades pedagógicas com respaldo no lúdico com crianças das escolas com maior índice de crianças com problemas de negligência e violência doméstica para melhorar a qualidade de ensino no país. O trabalho se desenvolverá por meio de estudos de teorias que abordam a questão e da realização de actividades lúdicas como teatro, literatura, brincadeiras, oficinas, desenhos e jogos, que pedem participação activa, junto a essas crianças.
Pretende-se ajudá-las a desenvolver ou recuperar funções importantes para o desenvolvimento dos processos afectivos, cognitivos e psicomotores como: auto-estima, confiança, imaginação, criatividade, raciocínio abstracto, entre outras.
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1. Introdução
Pode-se concluir que, o acto de brincar é o principal modo de expressão da infância e uma das actividades mais importantes para que a criança se constitua como sujeito da cultura.
Segundo PIAGET (1971), o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico, ela precisa brincar para crescer.
É, pois, por meio do universo lúdico que a criança se satisfaz, realiza seus desejos e explora o mundo ao seu redor, tornando importante proporcionar às crianças actividades que promovam e estimulem seu desenvolvimento global, considerando os aspectos da linguagem, do cognitivo, afectivo, social e motor. Deste modo o lúdico pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento global do ser humano, auxiliando na aprendizagem e facilitando no processo de socialização, comunicação, expressão e construção do pensamento (http://www.efdeportes.com consultado no dia 29-04-2013).
Do ponto de vista da inteligência, Piaget aponta períodos de desenvolvimento, tais como: sensório motor (fase da latência), simbólico (primeira infância) e operatório concreto. O presente estudo se utilizará da primeira infância (simbólico) e operário concreto onde, além da incorporação do período anterior, a linguagem e a representação mental começa a fazer parte da vida da criança com maior intensidade, ou seja, a criança começa a fazer e também a compreender. (FREIRE, 1997).
Nessa perspectiva, este estudo, que tem como metodologia a pesquisa bibliográfica, tem como objectivo o desenvolvimento humano e melhoria de qualidade de ensino em Moçambique.
É importante ressaltar que o lúdico pode proporcionar um desenvolvimento sábio harmonioso, que o brinquedo é objecto concreto da brincadeira e envolve a afectividade, convívio social e operação mental facilitando a apreensão da realidade.
Este trabalho está nitidamente dividido em duas partes distintas, a primeira parte do trabalho trata da importância das actividades lúdicas para o desenvolvimento humano e melhoria de qualidade de ensino no país e segunda parte versa sobre a violência doméstica na sociedade moçambicana.
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2. Tema:
 Desenvolvimento Cognitivo da Criança Para a Melhoria da Qualidade de Ensino em Moçambique.
2.1. Titulo:
 Actividades lúdicas e melhoria de qualidade de ensino no país.
2.3. Problema:
 Será que as actividades lúdicas e o controle da violência doméstica trazem melhorias à qualidade de ensino no país?
2.4. Hipóteses:
2.4.1 Nula:
 A estruturação deficiente das actividades lúdicas nas escolas e a violência doméstica perigam a qualidade de ensino no país.
2.4.2 Alternativa:
 A qualidade de ensino não tem nada a ver com as actividades lúdicas, nem com a violência doméstica.
2.5. Objectivos:
2.5.1. Geral:
 Melhorar a qualidade de ensino no país;
2.5.2. Específicos:
 Compreender a importância das actividades lúdicas para o desenvolvimento cognitivo, psicomotor e afectivo social das crianças.
 Relacionar as actividades lúdicas com a qualidade de ensino no país;
 Controlar a violência doméstica no país.
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2.6. Justificativa:
As actividades lúdicas explicitam relações múltiplas do ser humano em seu contexto histórico, social, cultural, psicológico, enfatizam a libertação das relações reflexivas, criadoras, inteligentes, socializadoras (ALMEIDA, 1998).
O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para a saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento (SANTOS, 1997).
Num país como Moçambique, em que diariamente se critica a qualidade de ensino e violência domésticas, a remodelação e boa estruturação das actividades lúdicas nas escolas e em locais públicos eficazmente e eficientemente planeadas e o controlo da violência doméstica, irão trazer melhoria da qualidade de ensino no país sem se precisar de muitos recursos (materiais, financeiros e humanos), para além, de um sujeito globalmente desenvolvido e um ambiente social onde a paz irá reinar.
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3. Metodologia
A metodologia constitui a maneira correcta de descrever os caminhos necessários a seguir na busca do conhecimento científico, identificando para tal os procedimentos indispensáveis para o alcance dos resultados almejados.
Assim, a intenção metodológica desta pesquisa, além de aprofundar as questões teóricas, é partir para o campo empírico, que, de acordo com as opções assumidas, trata-se de uma pesquisa qualitativo-analítica, balizada em procedimentos de registo, análise e correlação dos dados.
As pesquisas qualitativas empregam artifícios que permitem criar dados descritivos, possibilitando observar a forma de pensar dos participantes em uma investigação, o que não ocorre fortemente na pesquisa quantitativa. Nesse sentido, por se tratar de uma pesquisa descritiva, opta-se pela técnica de entrevista, mais especificamente, a entrevista semi-estruturada com a intenção de captar as informações desejadas para posteriormente transforma-las em dados.
1ª Fase: Preparação do trabalho de campo
Caracteriza-se pela escolha de algumas escolas primárias com níveis de aproveitamento pedagógico muito baixo. Posteriormente a elaboração de um Guião de entrevista de forma a colmatar as lacunas existentes devido a escassez de dados.
2ª Fase: Trabalho de campo
Nesta fase, realizar-se-ão entrevistas semi-estruturadas aos funcionários das escolas e alunos.
3ª Fase: Análise e discussão de resultados
Esta fase caracterizar-se-á pela descrição dos aspectos relevantes em relação ao tema em estudo, selecção e digitalização dos resultados obtidos através das entrevistas semi-estruturadas e da observação directa;
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4. Revisão Bibliográfica
4.1. Actividades Lúdicas
Presume-se que, hoje em dia as actividades lúdicas despertam o interesse e tornam-se objecto de estudo muitas áreas do saber humano.
As actividades lúdicas explicitam relações múltiplas do ser humano em seu contexto histórico, social, cultural, psicológico, enfatizam a libertação das relações reflexivas, criadoras, inteligentes, socializadoras (ALMEIDA, 1998). Estudos apontam a ludicidade como uma necessidade humana que não pode ser vista apenas como uma diversão.
O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para a saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento (SANTOS, 1997).
De acordo com Prado (1991, p. 78), lúdico é a forma de adjectivar uma actividade socialmente construída e diferenciada em cada cultura. É um conjunto complexo de elementos especificamente humanos que cria espaço de jogo entre o real e o imaginário, sendo que sua natureza se transforma conforme a cultura, a história e as condições objectivas em que o indivíduo e o grupo se inserem.
O autor define ainda alguns elementos do lúdico: o desejo (enquanto motivação intrínseca do sujeito); a afectividade; a situação imaginária e a interacção criativa (reciprocidade não passiva e criadora). Para o autor, a actividade lúdica é aquela na qual a motivação está na própria acção do sujeito e não em seus efeitos ou resultados externos. Sua finalidade real encontra-se nas vivências de diversos aspectos da realidade, que são significativos para o sujeito que age ludicamente.
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5. Primeira Infância
As primeiras sensações que a criança percebe vêm de seu próprio corpo: satisfação, dor, sensações sensoriais, movimentações e deslocamentos. Assim, seu corpo é meio de acção, conhecimento e relação com o mundo exterior. O desenvolvimento da criança, portanto, está intimamente ligado ao esquema corporal, o qual depende da maturação do sistema nervoso (RODRIGUES, 1989). Para o autor, na elaboração do “eu corporal” é importante observar que, cada nova sensação leva a uma resposta motriz diferente. Assim, não é possível separar a motricidade do psiquismo.
Até um ano e meio a criança desenvolve os problemas por meio de acção, movimento e tacteio. Aos dois anos ela é capaz de evocar e representar os movimentos sem executá-los. Mediante a acção mímica ela representa os acontecimentos que a interessam. Por exemplo, imitando o barulho do motor, faz um objecto girar pelo chão, tal como o pai faz ao dirigir o carro. Ao lado da mímica aparece o jogo representativo, o qual funciona de forma compensatória, de acordo com os desejos e temores da criança. Assim, a boneca come, chora, é operada, toma injecção, etc. (RODRIGUES, 1989).
Pode se concluir que, com o aparecimento do andar a criança começa, a ter maior independência e aos dois anos e meio a criança toma consciência do “ eu corporal”, passando a explorar cada vez mais o ambiente ao seu redor. No terceiro ano de vida já é capaz de caminhar nas pontas dos pés e saltar. Nessa fase a criança já possui coordenação e maior domínio da lateralidade, o que lhe possibilita a conquista da autonomia (RODRIGUES, 1989).
Para o autor, no aspecto da linguagem, a criança aumenta a possibilidade de comunicação e sociabilização. A linguagem depende tanto da motricidade quanto da inteligência. Assim, o aparelho fonador exige uma movimentação complexa, precisa e ritmada. A inteligência se faz necessária para simbolizar por palavras (conjunto de sons) objectos, pessoas e acções. Pode se perceber que há, uma estreita relação entre os problemas motores, de linguagem e de alfabetização.
As palavras substituem as acções físicas. Se considerar o acto da fala também como uma acção física, dir-se-ia que certas acções físicas substituem outras, de outro nível, uma pessoa, quando começa a falar, pode, através da fala, deixar de realizar certas
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acções motoras, que passam a ser simbolizadas. A linguagem é fundamental, não só para a construção de um nível de cada vez mais elevado de pensamento, mas mesmo para a estruturação de outros actos motores. Não podendo falar, o recurso da criança para agir com o mundo é as sensações e os movimentos corporais (FREIRE, 1997, p. 31).
Diferentes bibliografias enfatizam que, na primeira infância a imaginação é muito forte, e peculiar da faixa etária. A criança, na primeira infância, encontra se no período das representações mentais. As actividades lúdicas podem favorecer o símbolo e auxiliar a criança no seu desenvolvimento. É no decorrer dos primeiros anos de vida que se procede às verdadeiras aquisições nos diversos domínios do comportamento (afectivo, psicomotor e cognitivo), visto se a fase em que ocorrem as mudanças mais significantes, que determinam em grande escala as futuras habilidades especificas de comportamento. (NETO, 2001, p 11).
Actividades onde a criança possa fazer representações no uso de sua linguagem, por imitações e com criações, podem ser de grande valia para seu desenvolvimento, como por exemplo: imitar animais, pessoas, representar histórias, criar personagens, criar novas situações, etc. Ter a condição de incorporar em suas representações a sua imaginação, os seus sonhos e os seus desejos, em um processo de construção mental. (CAVALLARI, 2006).
Para PIAGET (2003), o símbolo é uma representação mental de objectos do meio externo, como por exemplo, a imagem mental de uma árvore o nome de um utensílio.
No período pré – conceitual (02 a 04 anos) a fala da criança se desenvolve bastante, e faz parte do seu mundo, já brinca de faz-de-conta, utiliza os brinquedos, como por exemplo: telefones, bonecas, panelinhas, roupinhas de boneca, quebra-cabeças simples, instrumentos de bandinha rítmica, massa para modelar, brinca em cabanas e casinha, com balde e pá de brinquedo, bichinho de plástico e de pelúcia, máscaras, fantasias, fantoches entre outros. Após os três anos de idade, a criança será submetida a uma evolução rápida no plano de percepção.
A criança toma consciência de suas características corporais e as verbaliza, produzindo acções que tornarão possível melhor dissociação de movimentos, ou seja, a evolução é
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marcada por uma progressiva consciencialização do próprio corpo (LE BOULCH, 1982).
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6. Desenvolvimento Cognitivo
Diferentes bibliografias afirmam que, o acto de brincar já se faz presente no ser humano desde o período fetal, quando algumas actividades como chupar o dedo, chutar, entre outras, coisas são realizadas. Presume-se que, após nascer, o brincar se realiza quando a criança sozinha reconhece e brinca com o seu próprio corpo (reacção circular primária) e, depois, com brinquedos, de tal forma que nesses actos ela interage e reagi por meio de seus olhos, boca e o toque da pele.
Assim, o primeiro contacto com o mundo externo se dá por meio da mãe. O seio materno e a forma como ele é oferecido a criança nos primeiros meses de vida são fundamentais para seu desenvolvimento físico e afectivo. O contacto amoroso e caloroso enriquece e favorece o bebé, no que diz respeito ao amadurecimento psíquico, pois fortalece e protege o seu ego.
Diferentes autores trazem importantes contribuições para a Psicologia Infantil com seus estudos sobre o desenvolvimento do psiquismo e/ou da inteligência humana. Couberam a esses autores relevantes estudos que forneceram os pressupostos para a construção de representações infantis relacionadas às diversas áreas do conteúdo, influenciando as actividades curriculares dos novos tempos (KISHIMOTO, 1997).
Vygostsky (1991) afirma que as teorias sobre o brinquedo desconsideram que este tem a função de preencher necessidades nem sempre possíveis de serem satisfeitas pela criança de outra forma, como por exemplo, a vontade que ela sente de realizar actividades pertinentes ao mundo adulto: dirigir, cozinhar, cuidar de bebés. Conclui o autor que, é impossível ignorar que a criança satisfaz certas necessidades no brinquedo. Se não se entender o carácter especial dessas necessidades, não se pode entender a singularidade como uma forma de actividade (VYGOTSKY, 1991, p. 106).
Assim, completa Vygotsky (1991, p.126), que é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não dos incentivos fornecidos pelos objectos externos. Para este educador, o brinquedo actua na resolução da tensão gerada na criança pela vontade de satisfazer um desejo imediato e a impossibilidade
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(física e mental) desta realização: Para resolver esta tensão a criança em idade pré-escolar envolve se num mundo ilusório e imaginário onde os desejos não realizáveis podem ser realizados, e esse mundo é o que se chama de brinquedo. A imaginação é, segundo o autor, um processo psicológico inteiramente novo para a criança pré-escolar e que não pode ser encontrado ainda nas crianças com menos de três anos, ainda incapazes de postergar a realização de um desejo.
Segundo Vygotsky (1991), o que distingue a brincadeira de outras actividades infantis, é que esta possui regras e imaginação, sejam elas explícitas ou não. Assim, na brincadeira do faz-de-conta, própria da idade pré-escolar, a imaginação está explícita e as regras implícitas. Pode se ver, o exemplo de brincar de casinha, nesta a criança precisa da imaginação para transformar-se em mãe, em filhinha ou em pai, mas, ao mesmo tempo, precisa obedecer regras inerentes ao papel assumido.
Nos jogos, que aparecem na idade escolar, por outro lado, as regras estão explícitas, mas a imaginação implícita. O jogo de futebol pode servir para exemplificar o que o autor quer dizer, assim ao iniciar a partida o jogador se submete às regras prefixadas, mas vai precisar da imaginação para realizar suas jogadas e ter uma boa actuação no jogo. Vygotsky (1991) afirma que a importância do brinquedo está no fato deste incutir na criança, uma responsabilidade de adulto, pois ao brincar ela realiza, mesmo de forma imaginativa, actividades e funções que muitas vezes estão acima de suas reais capacidades, mas que são possíveis na situação do brinquedo.
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7. Ambiente Escolar
As crianças, quando vão à escola pela primeira vez, geralmente se traumatizam e acabam chorando por dias, devido à separação das coisas habituais e pessoas. Acreditam que a escola, por ser um local fechado, perde a liberdade e com o passar dos dias, vão se acostumando com o ambiente, fazem amigos e acabam se divertindo com as brincadeiras, quando lhes é permitido (FREIRE, 1997).
Entretanto, existem muitas escolas que não vêem a importância do brinquedo e a actividade lúdica para a criança, achando que só a alfabetização é importante. De que nada vale esse enorme esforço para alfabetização se a aprendizagem não for significativa. E o significado, nessa primeira fase de vida depende, mais do que qualquer outra, da acção corporal (FREIRE, 1997 p 20).
KISHIMOTO (1997) afirma que, enquanto brinca, o ser humano vai garantindo a integração social além de exercitar seu equilíbrio emocional e actividade intelectual. É na brincadeira também que se selam parcerias, porém o aprendizado não deve estar presente só na escola, mas também como parte do dia-a-dia, na medida em que a criança progride em seu desenvolvimento e amadurecimento é necessário que ela manifeste o que é próprio de cada etapa de sua vida.
Diferentes bibliografias concluem que, para a educação infantil, o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico, é necessário que a criança brinque, tenha prazer para crescer, precisa do jogo como forma de equilíbrio entre ela e o mundo, portanto, a actividade escolar deverá ser uma forma de fazer e de trabalho, fazendo com que a criança tenha um desenvolvimento completo.
Conclui-se que, brincar é uma das actividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O facto de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver capacidades importantes tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da integração e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais. (REFERENCIAL CURRICULAR, 1998, p. 22).
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A escola desempenha um importante papel no desenvolvimento da criança, visto que as trocas proporcionadas pelo ambiente escolar permitem o desenvolvimento da mesma. Porém a fim de contribuir com esse desenvolvimento a escola deve estabelecer um ambiente onde a criança interaja e troque conhecimento a partir de sua realidade (PIAGET, 1971).
De acordo com o autor citado acima, a escola ao valorizar as actividades lúdicas, ajuda a criança a formar bom conceito de mundo em que a afectividade, a sociabilidade e a criatividade serão estimuladas. A partir de um trabalho onde a ludicidade será valorizada, pode-se oportunizar o resgate de potencial de cada disciplina. Cada um pode desencadear estratégias lúdicas para dinamizar seu trabalho, que certamente, será mais produtivo, prazeroso e significativo.
Pode-se dizer que a actividade lúdica, o jogo, permite liberdade de acção, naturalidade e prazer que raramente são encontrados em outra actividade escolar. Conclui-se que o lúdico seja essencial para uma escola que se proponha não somente o sucesso pedagógico, como também à formação do cidadão. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança, estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas.
O desenvolvimento motor sofre grande influência do meio social e biológico, podendo sofrer alterações durante o seu processo. Sabe-se que a escola é um dos locais de oferta de espaço adequado para o desenvolvimento motor da criança, visto que o brincar significa o meio mais importante para as aprendizagens dos pequenos (GALLAHUE E OZMUN, 2005, p.72).
Vygotsky (1998) atribuiu relevante papel ao acto de brincar na constituição do pensamento infantil, mostrando que é no brincar, jogar que a criança revela seu estado cognitivo, visual, auditivo, táctil e motor. A criança por meio da brincadeira constrói seu próprio pensamento.
Assim, pode se concluir que, a actividade lúdica, o jogo, o brinquedo e a brincadeira são essenciais no desenvolvimento e na educação da criança, uma vez que partindo do pressuposto de que é brincando e jogando que a criança ordena o mundo á sua volta, assimilando experiências, informações e assim, incorporando valores.
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8. Violência Doméstica
A primeira infância é base para todas as aprendizagens humanas. Estudos demonstram que a qualidade de vida de uma criança entre o nascimento e os seis anos de idade pode determinar as contribuições que ela trará à sociedade quando adulta. Se este período incluir suporte para o crescimento cognitivo, desenvolvimento da linguagem, habilidades motoras, adaptativas e aspectos sócio-emocionais, a criança terá uma vida escolar bem sucedida e relações sociais fortalecidas.
Pelo contrário, crianças vítimas de violência, possuem baixo rendimento escolar, baixa auto-estima, vergonha, trauma, desconfiam-se, sentem-se culpadas de tudo que acontece de errado, colocam diante de si próprias enormes barreiras, que causam um desenvolvimento deficiente da sua personalidade.
A violência doméstica é um fenómeno que ocorre de forma camuflada dentro do contesto familiar, uma acção abusiva, escamoteada, em que a vitima se encontra em uma condição vulnerável e é submetida a actos de descaso. É de lembrar que a violência pode ser: física, sexual e psicológica.
A violência física é aquela em que há uso de forca física de forma intencional, não acidental, praticada por encarregados de educação da criança, ou por qualquer outra pessoa, com objectivo de ferir, lesar ou destruir a vítima.
A violência sexual, se define em torno do acto ou jogo sexual, cujo agressor está em estágio mais adiantado que a criança. Tem por objectivo estimulá-la sexualmente ou utiliza-la para obter satisfação sexual.
A violência psicológica, constitui toda a forma de rejeição, depreciação, descriminação, desrespeito, cobranças exageradas, punições humilhantes e utilização da criança para atender às necessidades psíquicas dos adultos.
8.1. Consequências da Violência Doméstica
Segundo os sites (www.wiseoftheuppervalley.org; apud www.refuge.org.uk), as consequências da violência podem ser: emocionais, comportamentais, sociais e físicas.
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Emocionais:
 Baixa auto-estima;
 Insegurança;
 Desconfiança;
 Culpa, vergonha, embaraço;
 Dificuldades na expressão das emoções;
 Confusão acerca do conflito entre os pais;
 Medo de abandono;
 Raiva;
 Sentimentos depressivos;
 Agressividade;
Comportamentais:
 Externalização ou internalização
 Agressividade ou passividade;
 Comportamento desafiante;
 Cuidar da mãe, agir como "homem" substituto;
 Mentir para evitar eventuais conflitos;
 Procura de atenção;
 Pesadelos;
 Comportamento fora de controlo;
 Manipulação, dependência.
Sociais:
 Isolamento de amigos e familiares próximos;
 Relações tempestuosas;
 Dificuldades em confiar, principalmente nos adultos;
 Baixa capacidade de resolver problemas;
 Excessivo envolvimento social para evitar o lar;
 Passividade com os pares ou bullyng;
 Envolvimento em relações exploratórias como perpetrador ou como vitima;
 Estigmatização;
 Baixo rendimento escolar.
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Físicos:
 Queixas somáticas, dores de cabeça, e de estômago;
 Sinais de ansiedade;
 Fadiga;
 Doenças frequentes;
 Pouco cuidado com a higiene pessoal;
 Regressão no desenvolvimento;
 Insónia;
 Hiperactividade;
 Dificuldades na alimentação.
8.2. Trato da violência Doméstica
A violência doméstica é um tema bastante actualizado e instigaste que atinge milhares de mulheres e crianças, adolescentes e idosos em todo mundo.
Diferentes psicólogos defendem que, combater a violência doméstica é uma tarefa muito delicada, pois, muitos dos casos de ocorrência de violência acontecem dentro dos lares ocasionados por factores como ignorância, mitos, e aspectos culturais dentro de uma sociedade, onde os menores lidam-se com a violência doméstica como algo normal, o que vai dificultar o seu combate.
E se por um lado, factores como mitos, ignorância e aspectos culturais, dificultam o combate à violência doméstica, por outro lado está outro não menos importante factor, a indiferença. Muitas das mães moçambicanas, por falta de poder aquisitivo, não denunciam quaisquer casos de violência doméstica às autoridade por temer perder o lar e não conseguir sustentar os filhos.
A pergunta que não se deve calar é: porquê denunciar se a vítima não ser protegida? Torna-se imperioso que antes das campanhas televisivas e radiofónicas sobre o tema em estudo, antes deve-se criar condições para proteger as vítimas e as pessoas que denunciam.
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9. Cronograma:
Actividades planeadas
Meses
Responsável
set.
out.
nov.
Preparação do trabalho de campo
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Trabalho de campo
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Análise e discussão de resultados
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10. Orçamento:
As actividades em conjunto com a equipe técnica, serão realizadas em 15 dias de todos os três meses e o resto do trabalho farei pessoalmente.
Material
Quantidade
Custo Unitário. MT
Custo Total. MT
Computador completo
1
24.000,00
24.000,00
Máquina fotográfica
1
5.000,00
5.000,00
Transporte (alugado)
1
2.000,00/dia
30.000,00
Resma de papel A4
1
250,00
250,00
Canetas
10
5,00
50,00
Blocos de notas
10
12,00
120,00
Equipe de trabalho (remuneração)
1
10.000,00
150.000,00
Serviços de alimentação e alojamento
----------
2.500,00
37.500,00
Total parcial
33.767,00
246.920,00
Continências (15%)
5.065,05
37.038,00
Total
38.832,05
283.958,00
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11. Referencias Bibliográficas:
1. ALMEIDA, P. N. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1998.
2. CAVALLARI, M.V. (org). Recreação em acção. São Paulo: Ícone, 2006.
3. CUNHA, Nylse Helena Silva. Brinquedo, desafio e descoberta: subsídios para a utilização e confecção de brinquedos. Rio de Janeiro: FAE, 1988. Alegre: Artes
4. FREIRE, J.B. Educação do corpo inteiro: Teoria e pratica da educação física. São Paulo: Scipione, 1997. (Pensamento e acção no magistério).
5. GALLAHVE, D.L, OZMUN.J.C. Compreendendo o desenvolvimento motor Bêbes, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Editora Phorte, 2005.
6. KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo, Cortez, 1997.
7. LE BOULCH, J. O desenvolvimento psicomotor do nascimento até 6 anos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
8. NETO, C.A. F Motricidade e jogo na infância. Rio de Janeiro: Sprint, 2001.
9. PIAGET, J. A formação do símbolo na criança, imitação, jogo, sonho, imagem e representação de jogo. São Paulo: Zanhar, 1971.
10. RABINOVICH, S.B. O espaço do movimento na educação infantil: Formação e experiência profissional. São Paulo: Phorte , 2007.
11. REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL/ Ministério da Educação e do Desporto, Secretária de Educação Fundamental-Brasília: MEC/SEF, 1998.
12. RODRIGUES, G.C. Educação Física infantil: Motricidade de 1 a 6 anos. São Paulo: Phorte, 2008.
13. SANTOS, S, M. P. dos. (org). Brinquedoteca: o lúdico em diferentes contextos. Rio de Janeiro: Vozes, 1997.
14. SOIFER, R. Psicodinamismo da família com crianças. Petrópolis: Vozes, 1982.
15. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
16. www.wiseoftheuppervalley.org;
17. www.refuge.org.uk
18. www.coladaweb.com/metodologia-cientifica
19. http://www.efdeportes.com
Desenvolvimento Cognitivo da Criança Para a Melhoria de Qualidade de Ensino
em Moçambique
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ANEXOS
Desenvolvimento Cognitivo da Criança Para a Melhoria de Qualidade de Ensino
em Moçambique
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Guião de Entrevistas para Funcionários da Escola
Cargo do Funcionário: ______________________________________________________________________
1. Pratica-se actividades lúdicas nesta escola?
2. Quais as actividades frequentes e porquê?
3. A escola possui equipamentos/materiais para a prática de actividades lúdicas?
4. A escola possui espaço concebido especialmente para a prática de actividades lúdicas?
5. Na sua opinião, há necessidade da prática de actividades lúdicas nesta escola?
6. A escola possui profissionais capacitados para trabalhar na área das actividades lúdicas?
7. A escola realiza competições lúdicas? Porquê?
8. De modo geral, qual é o estagio do nível dos reflexos dos alunos desta escola?
9. A escola já registou casos alunos que carecem ajuda dum psicólogo?
10. Há alunos nesta escola que sofrem perturbações comportamentais, supostamente por sofrer violência doméstica?
11. Na comunidade algures, nota-se a ocorrência de casos de violência doméstica?
12. Na sua opinião, as actividades lúdicas e a violência doméstica contribuem para a fraca qualidade de ensino?
Desenvolvimento Cognitivo da Criança Para a Melhoria de Qualidade de Ensino
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Guião de Entrevistas para os Alunos
Classe _____; Sexo ____; Idade_______
1. Você gostaria de brincar com seu/sua professor/a durante o recreio? Sim _____ Não _____
2. Você sabia que é importante brincar para o seu bem-estar (cognitivo, físico, afectivo social)? Sim _____ Não _____
3. A escola organiza eventos para os seus alunos? Sim _____ Não _____
4. As brincadeiras te fazem ir à escola? Sim _____ Não _____
5. Você gostaria de ter mais brincadeiras na escola? Sim _____ Não _____
6. Você alguma vez fugiu de casa porque o teu encarregado queria te bater?
7. Os teus pais brincam contigo ou te dão tempo para brincar? Sim _____ Não_____
8. A maior parte das tuas notas são positivas? Sim ______ Não ______
9. Tem acontecido casos violência doméstica na sua casa? Sim ______ Não _____